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Sobre Antonio Miranda
 
 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Foto:  Correio Brasiliense 

RÓMULO MARINHO
( BRASIL - DISTRITO FEDERAL )

 

Marinho iniciou a carreira trabalhando na imprensa, foi presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Telegráficas, Radiográficas e Radiotelefônicas da Guanabara, eleito líder sindical do ano de 1964, pela Imprensa Falada e Escrita da Guanabara. Assumiu, como Suplente, o mandato de Deputado Federal para a 42ª legislatura, pelo PDC, em 19 de dezembro de 1966 até 31 de janeiro de 1967. 

Entre 1967 e 1968 foi assessor sindical do Ministro do Trabalho no mandato de Jarbas Passarinho. Entre 1969 e1971, foi diretor geral do Departamento Nacional do Trabalho do Ministério do Trabalho e Previdência Social. Entre 1971 e 1972 secretário de Previdência Social do Ministério do Trabalho e Previdência Social. Entre 1974 e 1975 foi secretário de Serviços Públicos do Governo do Distrito Federal.  

Rômulo Marinho foi um veterano palindromista, responsável por inúmeros artigos e palestras sobre o assunto. Compôs poemas palindrômicos tais como Palíndromo do amor total e Palíndromo da zorra. Em 1998 publicou o livro Tucano na CUT?, contendo 202 frases palindrômicas. 

Seu filho, Rômulo Marinho Júnior, produziu em 2009, o filme Lula, o filho do Brasil de Fábio Barreto com a irmã do diretor, Paula. 

Faleceu no dia 29 de Janeiro de 2017, aos 84 anos, de parada cardíaca em sua residência. Seu velório ocorreu no dia 31 de Janeiro no Cemitério Campo da Esperança onde reuniu grandes nomes da cultura e literatura de Brasília.

 

MEIRELUCE FERNANDES DA SILVA  - Antologia: versos e prosa.  Brasília: Thesaurus, 2005.  118 p.  ISBN 85-7062-467-0


RÓMULO MARINHO
CADEIRA - 39
PATRONO - TOM JOBIM


EXAGERO

Pedindo-me um cigarro, douto um maço.
Só meu ombro, dar-te-ei também regaço.
Só um verso, e te produzo um calhamaço;
Que te faça uma graça, sou palhaço.

Querendo-me amoral, sou teu devasso.
Propondo-me que me negue, eu rechaço,
Lembrando minha grana, sou ricaço.
Sugerindo uma ajuda, tudo faço.

Aventando que vá fundo, eu trespasso.
Dou-te mais, ao propor-me um só pedaço.
Na cama, se gostar, boto tempero.

Mas, se me exoras que te ame, esfumaço.
Pois assim já é querer régua e compasso.
Nunca esperes de mim tanto exagero.


“PALÍNDRO DO AMOR TOTAL”

ÁVIDO?
AMÁ-LA NA TABA, NO TOCO DA CASA,
NO MURO NO PAÇO, NA POÇA,
NA MACA, NA LIVRE SALA,
SERVI-LA NA CAMA,
NA COPA, NO CAPÓ, NO RUMO,
NA SACA DO COTO, NA BAATA, NA LAMA...
Ó DIVA!

 

NOITE SEM LUAR
(Música e Letra de RÓMULO MARINHO)
Com cantores se músico de Brasília.

O dia já nasceu
O vento já ventou
A chuva já choveu
O uirapuru cantou
Botão se abriu em flor
E o homem triste já sorriu
Chegou a primavera
E só você não viu

Você é perfume
Da flor que não brotou
Você é o ciúme
Do amor que não vingou
Você é o devaneio
De quem jamais sonhou
Você é fantasia
Que não desencantou

Desperta meu amor
Eu sou só por você
Estou ao seu dispor
Com flores num buquê
Mas sendo menestrel
Só nos meus sonhos vou cantar
É noite sem luar.

“COISAS, BICHOS E GENTE”

A mala na cama e a cama na casa: bola do saco,
O galo na praça, o dedo no laço, a gota no capô.
O cabo do toco, missão se alerta; a seta do saco
É tomo da raça: amada na taba,   o mico no cipó.
O saco de troco, é topo da casa; o cebo da rua,
A droga na grama, o demo da moça à porta da casa;
A cara do Tim é mito da raça; a saca da tropa,
A coma do medo, amarga na gorda; aura do beco;
A saca do pote, o corte do caso, o pico do cimo.
A bata da dama, a carte do mote, o caso da tesa,
A trela é só assim: o cotó do baco, o paco na toga,
O calo no dedo, a carpa no lago, o caso da loba,
A saca na maca e a maca, na lama.


TROVAS

Quando quero dar conselho,
O meu jeito é sempre assim:
Coloco-me ante o espelho
E dou conselhos para mim.

***

Ainda o homem na caverna,
João-de-barro já fazia
Cobertura bem moderna
Em bloco de alvenaria.

                
***

Meus desejos submersos
Vão trazer inspiração...
Ontem sonhos, hoje versos,
Amanhã minha canção.

                  ***

De Deus não senti firmeza,
Fato que muito me intriga:
Por que muito me intriga:
Por que pôs na natureza
Cupim, cigarra e formiga?

                ***

Cristo, d´água, vinho fez,
Com carinho e muito zelo.
Agora pergunto a vocês:
Posso deixar de bebê-lo?

                  ***

Veneno de escorpião
Lacraia, aranha ou de cobra,
São nada, em comparação
À língua de minha sogra.

                   
***

Gente que com planta fala
É comum e não se esconde.
Mas aventa-se interna-la
Se disser que ela responde.

                   ***

Aquele pássaro esperto
Como goiaba, ora pois,
Mas pragmático, de certo,
Deixa um pouco pra depois.


*
Página publicada em outubro de 2026.

 

 

 
 
 
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